segunda-feira, 2 de março de 2015

Lovelace


Se aproxima o 8 de março mais uma vez, o dia internacional da mulher. E mais um ano eu adoto momentos de reflexão que tenho trocado pelas flores e os parabéns. Afinal qual o sentido de parabenizar alguém por ter nascido mulher ou por ter se percebido mulher? Deixei de ver sentido nisso, acredito que os parabéns vêm de um prêmio de consolação de quem acredita que estão presas ali em papéis que impusemos e damos os parabéns por se encaixarem bem nos esteriótipos que nos agrada.

Daí esse ano quero falar desse nome em especial: Lovelace. A primeira a fazer história com esse nome foi Ada Byron, sim ela era filha do Lord Byron o poeta fodão que no meu ensino médio era idolatrado pelos professores e professoras de literatura. Me desculpem os poetas mas Ada é a Byron mais importante pra mim, não sei o quanto seu pai mudou o mundo mas é difícil concorrer com Ada.



Ada Lovelace, passa a ser conhecida assim por conta do título de Condessa de Lovelace, sem ela talvez você não estaria lendo isso, ou não estaria lendo dessa forma. Ela é considerada a primeira programadora e a primeira a descrever o funcionamento de um algoritmo/software na história. Bizarro saber que hoje o mundo da programação que é predominantemente masculino teve seu gênese em uma mente feminina. Essa ironia histórica me encanta, Charles Babbage que desenvolveu a primeira máquina programável pediu a Ada que traduzisse uma de suas palestras para o idioma inglês. Ela fez, porém com as famosas notas de tradutor, essas notas que deram margem para estudos e evoluções daquela linguagem de máquina.

Acho sensacional saber que todo esse mundo de softwares, aplicativos, hackers, cyberbullying, anonymous e o baidu se instalando sozinho no seu computador, começou ali com uma escritora e matemática do século XIX. Então galera, antes de idolatrar Gates, Jobs e Zuckerberg vamos dar uma meditada sobre o quando esses caras realmente revolucionaram a tecnologia ou simplesmente são gênios do business apenas. Tem muita gente mais anônima e mais importante para a evolução da tecnologia que esses três aí.

Outra Lovelace cuja história tira lágrimas é Linda Susan Boreman que adotou o nome artístico Linda Lovelace no lançamento do seu primeiro filme na década de 70. Vamos dividir sua importância para a humanidade e duas partes.


A primeira parte é o lançamento do seu primeiro filme Garganta Profunda (Deep Throat - 1972). Porque esse filme pornográfico é tão importante para a humanidade. Foi o primeiro filme da história a passar em cinemas convencionais, o primeiro a ter status de filme comercial. Casais assistiam juntos nas salas de cinema, sim, virou programa de família. Até essa data as formas de se ter prazer no sexo eram um tabu gigante, se você pensou "até hoje é um tabu" então imagina 40 anos atrás! 


O sexo oral principalmente, tema do filme em questão, era visto como coisa de gente depravada ou de profissionais do sexo, pessoas "de família" não faziam essa aberração com a boca. Muitos sexólogos, antropólogos e psicanalistas hoje atribuem essa revolução na cama, essa liberdade de sentir prazer no ocidente ao filme e ao que ele causou nas mentes da época.

O mais interessante é que se trata de um filme de humor também, talvez por isso conseguiu entrar nos cinemas e nas casas mesmo com todo o sexo explícito. Então se você hoje não tem pudores entre quatro paredes agradeça a Linda Lovelace que tinha um talento especial e teve um roteiro totalmente adaptado para suas habilidades sexuais. Eu assisti, mais de uma vez, é bom mesmo. Ela fez outros filmes mas não teve nem de longe o mesmo impacto, ela partiu para o softporn (tipo Emanuelle, deus a tenha) e com roteiros mais pastelão a sensualidade ficou de lado. Garganta Profunda 2 por exemplo fala de guerra fria, é uma bosta de filme, também vi esse.

Mas Linda não tinha terminado sua missão na Terra. A segunda parte que eu prometi é a mais chocante. Linda conseguiu se separar do marido e começou a trilhar seu próprio caminho, até que resolveu contar toda a verdade. O traste que chamou por marido por anos estava mais para um cafetão que a vendeu de todas as formas que ele conseguiu e sempre que ela se recusava dava uma surra para lembrá-la de como funcionam as coisas nesse mundo.

Uma das cenas em Garganta Profunda dá pra ver sua perna roxa, ela apanhou um dia antes por resistir ao trabalho de atriz pornô, afinal ela era de uma família tradicional e isso a chocava bastante. Você consegue ver a marca na foto abaixo, lembro de que quando vi a cena pensei até que a marca teria alguma história, que a personagem falaria algo sobre, mas depois descobri que a marca não era da personagem. Ou seja, o filme que gerou uma das várias revoluções sexuais no planeta é praticamente um estupro, ou eu estou exagerando?! Meditemos...


Nos anos 80 ela se tornou uma militante que denunciava principalmente a indústria do sexo e as relações de escravidão que lá existiam. Escreveu livro, ministrou palestras, foi a programas de TV e tudo mais. Por seu sucesso estrondoso como atriz teve seu espaço na mídia posteriormente para falar do que achava importante. Ela morreu em 2002 num acidente de carro e em 2013 lançaram um filme biográfico chamado Lovelace, se recomendo? Demais da conta, mesmo achando uma filhadaputagem enorme terem esperado ela morrer pra fazerem o filme.

E é por isso que Linda Lovelace é tão surpreendentemente importante na luta pelos direitos humanos e pela equidade dos gêneros, ela primeiro fez parte de uma revolução sexual depois lutou contra os abusos e a favor da liberdade da mulher, mesmo que essa liberdade fosse dentro da indústria pornográfica (por que não?).

Que esse ano o dia internacional da mulher seja mais reflexivo e mesmo besta, que nomes como Lovelace estejam sendo pronunciados nos milhões de solenidades pelo mundo.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Destino de Júpiter


Caramba, fazia um tempo que um lançamento não me encantava tanto. Minhas inúmeras frustrações com os recentes lançamentos de herois de quadrinhos vivendo o mesmo roteiro, destruindo uma cidade e salvando o planeta estava me fazendo desacreditar das boas ficções e fantasias recentes.

Outra coisa é o preço exorbitante do ingresso de cinema, não faz nenhum sentido aquele preço, apesar de não ter o hábito de baixar filmes não consigo julgar quem faz, 30 reais um ingresso?!?!?


Sou muito fã dos Wachowskis, eles são apaixonados por "causar" nas telas, gostam mais disso do que de dinheiro, isso produz coisas lindas. Meu primeiro contato com a obra de Lana e Andy foi o bendito e canonizado Matrix. Cara, eu lembro de todo mundo saindo do cinema com cara de "hein" sem saber direito o que tinha acontecido, sem ter entendido aquilo que tinha acabado de explodir suas mentes.



E eles gostam de fazer o que estão afim e pronto, alguém que faz Matrix depois Emplaca um Speed Racer? Acho um filme lindo, cheio de cores e um roteiro tchutchuco e nada a ver com Matrix o que deixou muita gente frustrada, mas eles não dão a mínima pra isso. Os caras resolveram filma um livro que o próprio autor disse ser 'infilmável', o Cloud Atlas, talvez a única obra deles que eu não ame, mas pelo menos estão tentando explodir mais mentes enquanto outros cineastas insistem em refilmar a mesma história com atores mais jovens ano após ano.

A bola da vez O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending) é show de bola, já está sendo execrado pela crítica e tendo pouca repercussão nas bilheterias. Mas todo o contexto, as entrevistas deles, o trailer me fez voltar ao cinema. Queria ver de perto aquilo e logo. Tá, o fato de uma das empresas que sou cliente me oferecer meia-entrada ajudou MUITO na minha decisão.

Uma fantasia linda, talvez o fato de eu ter assistido recentemente uma grande quantidade de documentários e filmes sobre o planeta em questão tenha ajudado a achar toda a fidelidade visual da atmosfera do planeta fantástica no cinema.

Os Wachowskis não mastigam muitas explicações, jogam as coisas na tela e vc vai costurando meio que por conta própria. Tiveram um tempinho pra umas piadas ao estilo Douglas Adams e o Guia do Mochileiro das Galáxias. Uma ficção científica que estava fazendo falta já, a premissa de vamos salvar a Terra está lá sim, reciclada, mas está de uma forma tão insignificante para todo o contexto que ficou show de bola.

Spoiler Alert: Outra parte legal o Sean Bean não morre nesse filme :)

Enfim compensa muito, meuzovo pra Era de Ultron, não que eu acredite que será ruim uma das trocentas continuações de Vingadores, só que essas adaptações já chegaram ao limite da saturação, estou ansioso pela próxima fase do cinema.

PS: pra quem se importa com Oscar Eddie Redmayne levou o prêmio de melhor ator no último domingo pela interpretação de Stephen Hawking no filme A Teoria de Tudo. Ele está nesse filme também.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Chespirito :(

Não precisa ser fã de Chaves pra entender a dimensão do que aconteceu, pra entender a comoção latina dos últimos dias. Pra compreender basta ter tido uma boa infância. Nesse primeiro estágio da vida tudo tem significado diferente, tudo é meio fantasioso e tudo parece ser bem maior do que realmente é.


Um sorvete que você tomava sempre que saia com os primos tem um sabor de melhor sorvete do mundo por conta de todo o contexto. Mesmo que depois de adulto você perceba que era só gelo e açúcar aquilo ainda te gera bons sentimentos e uma nostalgia incrível. Dificilmente você vai conseguir convencer outras pessoas que aquele sorvete é bom, mas o contrário também vale, ninguém conseguirá te persuadir a deixar de gostar daquele sabor.

Em uma das primeiras visitas de Edgar Vilar (o Seu Barriga) ao Brasil, Jackeline Petkovic, apresentadora dos programas infantis do SBT, o conheceu,. Lembro de ter me emocionado junto com ela nesse encontro, e é mais ou menos isso que acontece quando sua infância ressurge na sua frente. 




Mas Chaves era bem mais que gelo com açúcar, Chaves era uma história que conseguiu unir culturalmente todos os latinos, nenhuma música, novela, artista conseguiu algo semelhante por tanto tempo. O programa falou de pobreza, miséria, solidariedade e fez rir por décadas, pago pra ver um fenômeno parecido nos acometer novamente.

Lembro do último episódio de Chapolin em que os atores se despediam do público, e Bolaños (Chaves/Chapolin) fez questão de frisar o orgulho que tinha de ter ficado no ar tanto tempo sem fazer nenhuma piada racista, já alguns se orgulham da época em que os Trapalhões menosprezavam o Mussum em algumas piadas e ficava tudo bem.

Bom, pra mim foi um golpe sim, fiquei muito triste, a sensação é sim de uma parte das minhas memórias se esvaindo, morrendo junto com ele. Não escondo minha gratidão ao programa e já até registrei aqui minha saga para ver o Kiko de perto (se não leu ainda pode conferir clicando AQUI). Foi massa, desejo que mais infâncias estejam sendo construídas de forma que gelo e açúcar sempre supere um Haagen-Dazs.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Entrevista - Roda Quadrada

Galera, foi um dia muito divertido esse aí. Fui entrevistado pelo pessoal do Roda Quadrada, um canal goiano do Youtube especializado em cultura pop e outras coisas. O assunto foi o cubo mágico e o imbecil aqui esqueceu de levar um cubo normal. Já me agredi na cabeça por isso podem ficar tranquilos.

Falo um pouco do sonho que um dia coloquei na lista que irá se realizar em 2015, envolve um campeonato mundial de cubo mágico hehe. Enfim, foi lindo, gostei muito. Vai aquele muito obrigado ao pessoal do Roda Quadrada.

Curiosidade: Marelo, o cara que me fez o convite da entrevista é o mesmo que eu trolei com a história do blog. Parece que ele não me odeia.

Recado pra um dos meus 3 leitores: Brosig, essa camiseta foi minha homenagem pra você.





Quem quiser aprender, segue o tutorial que produzimos no portal Hobbz com o Gabriel Dechichi, o recordista brasileiro citado na entrevista.




segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Fim das eleições!


Na virada do ano escrevi sobre minhas percepções sobre a polarização e sobre o maniqueísmo que dominava o grande fórum do debate nacional, o boteco. Ali percebia que minha ilusão quanto às mudanças que o Brasil veria era fruto de uma imaturidade e até mesmo de uma arrogância minha. Acreditar que 500 de comportamento seriam mudados em um mês, o fatídico junho de 2013, era além de surreal, era tolo pois partia do pressuposto que eu saberia exatamente as respostas para um país melhor. 

Houve um sacode no brasileiro, a galera está sim se interessando mais e lendo mais, isso é bom é excelente. Vi infinitas publicações do gênero "o que adianta ir as ruas e votar em X" e X sempre era o candidato odiado de quem publicava. Muito provavelmente porque junho de 2013 foi apropriado por gritos menores já no seu final, gritos de 'fora' e de 'impeachment'. O que todos ali sonhavam era com algum tipo de reforma profunda que independia do partido, vide as pressões que foram feitas sobre fim do foro privilegiado, fim do voto secreto no congresso, investimentos na educação, redução da quantidade de parlamentares etc. Era muito comum ouvir esses gritos de ordem nas ruas e achar grupos nas redes sociais debatendo esses temas. Curtia ler e assistir a entrevistas do FHC no período que ele tentava dizer justamente isso que não se tratava de um movimento político, infelizmente muitos interpretaram os protestos como anti-político que é outra coisa totalmente diferente e sem sentido.


Onde quero chegar com essa ladainha? Os protestos de maio e junho de 1968 com estopim na França e com alastro mundial também não deram em "nada", já que o governo francês contornou a situação, nos EUA a guerra do Vietnã não foi interrompida e no Brasil a ditadura não desapareceu. Mas muita gente séria que estudou e/ou viveu o período atribui muitos ganhos em direitos humanos que ocorreram em escala global ao movimento de 68. Cria-se um divisor de aguas e um divisor de pensamento. Torço para que esse seja o maior legado que o Brasil também vai ter de 2013.

Então essas eleições de 2014 entram pra história da quantidade de pessoas que se importaram, que leram a respeito e que debateram. Obviamente entra também pra história com a maior desfazedora de amizades, de argumentações rasas, de xingamentos sem sentido e do preconceito. Nessa sopa vejo um saldo positivo, pois estamos nos importando, queria muito que tivéssemos maturidade para continuar as conversas, o próximo caso de escândalo que acontecer vamos ter senso crítico de buscar justiça ou vamos abrandar por ser o nosso partido? Esse é um medo que tenho, da indignação seletiva, a mesma polarização que vive os EUA onde grande parte da população vive um disputa muito mais irracional que aqui e boa parte dos estados não mudam o voto (semelhanças?). Vejo que o Brasil é mais interessante e possui uma pluralidade partidária que dá mais opções e condições para os partidos se manterem. Gosto mais assim e espero que trilhemos outro caminho com mais diferenças e menos coincidências com os EUA. Vivo um cauteloso otimismo.

E o que eu fiz nessas eleições? Em quem votei?

Fiquei na minha, só observando. As poucas vezes que argumentei alguma coisa me chamaram de burro, esquerda caviar e analfabeto funcional coxinha. Parece impossível ser xingado dos dois lados, mas aconteceu, e com gente que estuda e muito, mas são tão fervorosos que nem ouvem só xingam. O resto do tempo fiz pouquíssimos comentários, quando fazia eram menos incisivos ou eram piadinhas inocentes, falei mais do Vila Nova do que dos candidatos (aliás, rebaixamento inevitável esse ano). Me recusei a votar nos dois turnos, não justifiquei nem nada. Simplesmente não quis. Não via razão par escolher um candidato que não vai conseguir governar e se conseguir é porque vendeu a alma pra alguém. Entre os 3 mais votados pra presidente todos foram patrocinados pelas mesmas corporações. Nos estados tanto GO quanto DF estavam ferrados com as opções. No legislativo eu tenho tantas ressalvas quanto ao modelo que adotamos, bicameral, mais de 500 deputados e sistema proporcional na eleições que não vi motivo pra participar disso. 

Resumindo, não acredito mais no poder do voto. Não acredito que jogar anjo no inferno faz o lugar melhorar, não acredito que colocar o melhor piloto da Fórmula 1 pra pilotar o Titanic faça alguma diferença, sabe nem dar a partida. Acredito numa reforma política independe do voto, que seja fruto de pressão popular. Exemplo pequeno rápido: projetos como o de transformar crime de corrupção em hediondo existiam há anos de vários partidos diferentes, em poucos dias foi votado quando a galera resolveu gritar, mas falta outro turno de votação que está parado até hoje, porque paramos de gritar. Ainda nos falta maturidade política, várias coisas ficaram esquecidas e não, não foi a copa.

Vou arcar com as consequências, que não são drásticas, da minha decisão de sequer justificar o voto, mas não estou arrependido. No primeiro turno se somarmos brancos, nulos e abstenções teremos um número mais expressivo que a votação do Aécio. Já no segundo fomos um total de 37 279 773. É gente demais que deixou de escolher um candidato. No Rio de Janeiro o não-voto ganhou as eleições ficando na frente do eleito Pezão, histórico. Tira-se uma boa meditação desses números.


Se for taxado de anarquista/golpista/guerrilheiro/coxinha/covarde/etc nem estou me importando tanto, nem reajo mais, simplesmente me calo e saio de cena. Mas nos bons debates estarei em todos, afinal é no boteco que o conhecimento se forma. E se em 2016 ou 2018 eu mudar de ideia, eu voto normalmente, parei com esses orgulhos de não mudar pra ter cara de sábio chinês da montanha cheio de verdades universais.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Empreendendo

Faz parte de tudo. Vejo poucas atividades que não tenha empreendedorismo envolvido. Se você é um apertador de parafusos estilo "Tempos Modernos" ainda assim vai empreender em algum momento em alguma situação.


Quer ser promovido a apertador de porca. Você vai precisar se preparar, estudar as porcas, aprender a negociar com os chefes, investigar qual deles é o tomador de decisão, planejar o melhor momento de pedir a promoção, organizar tudo isso e se monitorar para cumprir. Filho, isso é empreender. O mesmo para mudar de emprego ou para virar chefe.

E o cara que quer apertar parafuso o resto da vida? Um dia ele vai sair da casa da mãe, vai ter que economizar uma grana, procurar um lugar que consiga pagar, comprar novos móveis e fazer a mudança. Ou seja, gerenciar recursos, pesquisa de mercado, aquisição de passivo e execução de projeto. Isso é o que galera?

O cara vai casar, ter filhos ou fazer uma viagem, não importa, tudo é empreender. Porque então existe tanta resistência quando alguém diz na família "Quero ser empresário"? Eu até consigo dar um desconto para galera que é geração X ou babyboom, são de outra época onde carreira tinha outro significado e sua identidade estava atrelada ao seu emprego e não aos seus sonhos, opiniões ou talentos. Mas, me explica essa geração Y concurseira! Todo mundo agora tem talento pra empresa pública? Duvido muito, tem muita gente infeliz na esfera pública dizendo que estabilidade é tudo, aos que se identificam com a carreira tudo bem, não é desses que falo.



Enfim, a nossa criação atrapalha um pouco a cruzar essa ponte entre o assalariado e o autônomo/empresário, fica até um pouco mais difícil dar o primeiro passo. O tempo está chegando e minha missão em Brasília terminando. Vim pra bancar meus sonhos, se passaram dois anos, eu achava que seriam necessários três mas não serão. É muito gratificante planejar algo a longo prazo e ver isso acontecer, colher o que você plantou, clichê eu tô ligado. Algumas coisas deram certo antes do prazo e com ajuda dos amigos os planos se aceleraram, bom demais.

Mas se uma pessoa faz uma lista de coisas que quer fazer antes de morrer tem que planejar demais e ter um pouco de paciência. Se planejei ser empresário e voltar para Goiânia eu tinha que estar fazendo algo a respeito e não só falando no assunto para as pessoas. Não perdi o foco ao vir pra Brasília e nem comecei a estudar pro concurso do Senado, cujo salário é tentador, mas mantive a trilha, fiz os investimentos, trabalhei, fiz contatos etc. Estou feliz demais da conta. Rumo aos alvos. Vou concluir muitos itens dessa lista de coisas, nem vou precisar de duas vidas como eu pensava.