sábado, 2 de agosto de 2014

Tendo um treco



Alguns amigos e até a primeira dama costumam dizer que eu sou a mulher da relação. Devo ser mesmo. Estou mais ansioso para me casar que a noiva, como isso é possível? Explico:

1) Primeiro que tudo que eu decido fazer direito, tenho um padrão de qualidade que nem eu mesmo consigo cumprir. Hipocrisia? Sim. Mesmo eu tendo me atentado para nem 30% das coisas que envolvem uma cerimônia eu consigo fazer que esses 30% causem mais dor de cabeça que os outros 70%.

2) Eu gosto de inventar moda, como diz minha mãe. O problema de inventar jeitos diferentes e personalizados de fazer as coisas é óbvio: ou fica mais caro ou mais trabalhoso e na maioria dos casos acontece as duas coisas. Se não bastasse tem fato de que a nova moda não foi testada ou pouco testada então sempre existe a chance de desastre, por isso mais tensão.

3) Estamos montando nossa casa e não ficará pronta em menos de um ano e o casamento é em uma semana kkkkkkkk peraí kkkkkkk. Então, mas isso não quer dizer que já não esteja dando trabalho agora. Está dando muito, mas vai ficar bom.

4) Moro em Brasília enquanto tudo se passa em Goiânia, minha solidão aumenta meu nervosismo de um tanto que você não imagina. É tipo um obstetra não poder fazer o parto do seu próprio filho. Ok, exagerei, não faria mais que os 30% mesmo se estivesse lá, mas pelo menos pegaria na mão da grávida.

5) Lembra da empresa que já mencionei aqui? Então, ela é totalmente virtual e resolveu entrar no ar AGORA!!! Putz, é tanta coisa ao mesmo tempo, só falta ser ano de copa...

6) Tem referências de Dragon Ball no cerimônia de casamento!

7) Sete é um número excelente.

A verdade é que a primeira dama tem que fazer quase tudo sozinha, amo demais essa baixinha, só não é gorda, dentuça e nem tem um coelho azul. Então porque raios eu fico mais maluco que ela????? Devo ser a mulher da relação mesmo.

#tocapedraletícia

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Revenge

"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena" MADRUGA, Seu.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Ocupação 101


A treta voltou a esquentar entre Israelenses e Palestinos nos últimos dias. Tem muito sendo dito sobre terrorismo no mundo há muito tempo, a cada dia essa palavra vem se transformando em seu significado. Não por passar a ser certo, mas por se tornar mais abrangente que homem bomba. Não deixei de considerar ataque a uma lanchonete terrorismo só passei a por mais coisa dentro desse conceito, como por exemplo, destruir um país procurando armas de destruição sem nenhum indício concreto. Sendo assim os EUA pra mim são tão terroristas quanto. Outro fato histórico é o genocídio que o Brasil ajudou a praticar na guerra do Paraguai, daí me perguntam porque não acredito em patriotismo/nacionalismo/ufanismo... Hino pra mim, só serve pra eventos esportivos e olha lá.

Foi-me recomendado o documentário Ocupação 101 que conta mais um lado da história do Oriente Médio. Achei excelente, quase obrigatório. Recomento aos amigos e já deixo aqui fácil pra galera. Mas não esqueçam de procurar outras fontes, outros conhecimentos, outras versões, a moeda sempre tem mais que dois lados.






quarta-feira, 9 de julho de 2014

#TeveCopa

Fiquei na minha o máximo que pude e agora que o Brasil perdeu suas chances de ser campeão consigo comentar com mais calma as reações que observei. Vi todo o tipo de reação, eufórica, alegre,  algumas intolerantes, outras arrogantes, um monte de "tô nem aí" uns sinceros outros nem tanto.



O primeiro tipo de reação e o mais interessante foi o torcedor confuso, aquele que se sente culpado por torcer e comete atrocidades contra si próprio, mas torceu, assim como os ativistas anti-ditadura torceram por Pelé, Jairzinho e o eterno capitão Carlos Alberto Torres. No jogo de estreia da seleção em 1970 o time perdia por 1 a 0 da Tchecoslováquia até que Rivelino faz o gol de empate, de acordo com o deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), que estava detido com outros presos políticos, foi uma gritaria só na cadeia que até os guardas se assustaram pois a notícia era que torceriam contra. Lembro de uma outra entrevista de exilados que acompanharam de outro país a copa, a memória não me deixa lembrar do protagonista dessa história mas lembro do relato que durante a final contra a Itália, no terceiro gol especificamente, já não tinha dessa de torcer contra, os comunistas estavam se abraçando e comemorando a posse definitiva da Jules Rimet.

Enfim, o grupo que mais me intrigou foi esse bloco dos confusos, alguns até arrependidos. O caso mais famoso que acompanhei foi de Gabriel "O Pensador". Ele sempre foi fã de futebol, flamenguista fanático e iniciou até agenciamento de jogadores e de um time de base. Mas veio à mídia e soltou essa aí:

 

Sou fã, lembro de ter comprado CD's do cara, lembro de ter decorado o álbum "Quebra-Cabeça" inteiro, lembro de ter me frustrado com o seguinte "Nádegas a Declarar", lembro de ter que explicar pra todo mundo que o hit Lôraburra não era preconceituoso e que só pensava isso quem não ouvia a música toda. Lembro quando lançou a música "Brazuca" criticando os problemas sociais no entorno dos sonhos de quem quer se tornar um craque da bola. Quero dizer que respeito o cara, mas está confuso e ficou claro pra mim quando deu essa entrevista no SporTV. Talvez por não ter conseguido separar futebol de nação, nação de governo assim como muitos não separam os problemas que são do sistema e dos partidos. Se um dos jogadores que ele agencia/agenciou estivesse na copa, como seria? Não chego a julgar, não mesmo, tem todo um fator externo antagônico ao fator cultural que gerou a lambança de sentimentos não só nele.

Um outro grupo permaneceu fiel ao #NãoVaiTerCopa mas sinceramente escolheram a pior frase possível para estampar o movimento. O brasileiro vibrou quando descobriu que a copa viria pra cá porque futebol é cultural não é um esporte comum. Vi uma entrevista de uma repórter japonesa que cobre a seleção, ela disse que veio morar no Brasil para entender a paixão do brasileiro pelo time, pois lá fora ficava difícil de compreender o seu significado, já que para o japonês é só futebol. Num país com esse nível de devoção já nasce fadado ao fracasso uma campanha dessas, mesmo com a imprensa anti-Dilma ajudando e dando aquela força. As causas eram legítimas, as desapropriações, a especulação imobiliária na favelas, a perda da soberania nacional para FIFA, os atrasos, a verbas emergenciais etc. Na minha opinião faltou um pouco de calma na formulação do editorial. Mas terão meu respeito pela coerência e força nos protestos, essa galera é massa.

Um terceiro grupo, talvez o mais idiota deles, foi o grupo que pagou ingresso pra xingar a presidenta* Dilma, se fosse só a vaia nem me importaria tanto. Sinceramente não sei o que passa na cabeça dessa galera, eles juram que o montante que o governo federal gastou na copa resolveria o problema da saúde, educação, aquecimento global, da existência de um papa argentino e do preço da PS4. Mas ao mesmo tempo são apaixonados por futebol e pagaram caro para estarem ali, talvez tivessem juntado grana por muito tempo para realizar esse sonho possível, já que alguém trouxe a copa pra cá. Não votei na Dilma e não pretendo votar em sua reeleição, mas os #foraDilma são patéticos com o seu discurso simplista de que ela foi eleita pela galera do bolsa família ou dizem coisas mais preconceituosas ainda que tudo é culpa do Nordeste, bastaria olhar as estatísticas dos 55 milhões de votos da mulher, 10mi foram só em SP, por exemplo. Foi eleita democraticamente, se querem um impeachment que seja por motivos razoáveis como a treta da Petrobrás e não porque você simplesmente acordou com vontade de fuder a frágil democracia brasileira. Esse mesmo grupo de pessoas, só lembrou de xingar a presidenta novamente ontem quando levávamos a maior salsichada da história do seleção brasileira, o que me mostra que são manés mesmo. 

Teve um quarto grupo, parece o #NãoVaiTerCopa, mas é bem menos politizado e cheio de frases de efeito. A galera que vive repetindo o bordão do "pão e circo". Basicamente não gostam ou gostam pouco de futebol. Se divertem de outras formas, querem parques públicos, querem shows gratuitos para a população (desde que seja Jazz, se for Sertanejo aí já é pão e circo), querem pagar 600 reais para ver Paul McCartney... Mas futebol?! Ah não, não conseguem aceitar. Seriam respeitados se admitissem que não gostam de futebol/copa e pronto, sem essa de "tem gente morrendo na Faixa Gaza e vocês lamentando a coluna do Neymar", Quero ver quando o Paul** morrer se vão lembrar da fome da África. 

Tem inúmeros outros grupos, mas os que me chamaram atenção foram esses aí. Mas e eu? Onde estava? Bom, esse ano me caso e tudo perdeu um pouco da importância incluindo a copa e a higiene pessoal. Não esqueci do item 3 da minha lista - Assistir à uma final de copa. Mas depois da minha experiência em 2013 na Copa das Confederações vi que não tinha sentido buscar esse sonho no Brasil, estive lá no ano passado e já até contei aqui que me vi extremamente constrangido e não curti os 3x0 no Japão como deveria. Juntei grana para estar na África do Sul em 2010 mas a FIFA não me sorteou e o preço dos ingressos na mão de terceiros inviabilizaram a viagem. Enfim, quem sabe estarei na Russia em 2018... 




- "Se a Alemanha tivesse feito mais 1 gol não seria 8 de julho... Seria 8 no julho"






PS: as piadas sobre o vexame futebolístico são ótimas, ri bastante, somos assim, sabemos rir em qualquer hora.

PS2: também acho engraçado a forma que alguns lidam com a frustração, o time sempre chega entre os melhores, de 70 pra cá o pior resultado foi ficar nas oitavas, o normal é sempre passar para as fases seguintes. Esse time tem que jogar mal durante uns 30 anos para deixar de ter o melhor futebol do mundo. Mas não adianta dizer isso, sempre vão achar um pra execrar desde Barbosa, o goleiro de 1950, é assim.

*Eu chamo de presidenta pelo simples motivo: ela pediu! Não vejo razões para tornar o tratamento uma demonstração de ideal político, se ela tivesse pedido para chamá-la de Carlos atenderia da mesma forma.

**Adoro o Paul, foi só um exemplo.






quarta-feira, 2 de julho de 2014

Inveja!

Já escrevi sobre a Inveja aqui, mas é um tema sensacional e nunca deixo de ter material para comentar. Aprendi com líderes espirituais do passado que confessar um pecado/crime/falha faz sentido se for pra quem o assunto interessa. Apenas confessar por mero desabafo ou para cumprir um ritual de penitência vazio já é um começo, já estamos admitindo, mas trocar ideia com a vítima é bem melhor para o meu crescimento, o orgulho sofre mais porém dá mais resultado.



Digo isso pois lembro perfeitamente da primeira vez que cheguei numa pessoa e disse:"Perdoe-me, eu estava com inveja". Como a sociedade vê a inveja como algo pior que assassinato a própria vítima tentou me convencer que não era inveja e que eu estava confuso, ele estava tentando ser legal, mas era inveja sim. Era uma amigo que pagou um preço barato em um computador que valia mais que o dobro se fôssemos na loja. Eu estava com raiva por não ter o computador mais moderno do grupo, estava com raiva porque não tinha feito um negócio tão bom financeiramente, estava com raiva de todo mundo que olhava a máquina e exclamava elogios. Não tem outro nome pra isso, é inveja mesmo.

Essa foi a primeira vez que percebi de forma nítida o que se passava e como tinha aprendido confessei. Percebo que quando alguém está com raiva de outra pessoa essa é a acusação mais comum "é pura inveja, sempre quis ser eu". Porque é a acusação mais comum e confissão mais incomum? Como é possível notar tão facilmente algo se não tivéssemos uma noção próxima dos conceitos?

O psicoterapeuta José Luis Cano Gil fala de diversas situações que levam à inveja, uma que me chama a atenção é o narcisismo, sair do centro, sair do foco, deixar de ser o mais celebrado causa uma dor muitas vezes traduzida em raiva, daí para a sabotagem é um pulo. Outro fator é a síndrome do 'ninguém me ama', se eu sou um sofrido na vida, tenho uma história triste e tudo, acabo por ter uma dificuldade imensa de aceitar os sorrisos enquanto estou velando meus sonhos, é o perna-de-pau que fura a bola pra ninguém jogar.

Tem uma que eu apelido carinhosamente de inveja de bolso, aquela sem muitas proporções mas é chatinha, fica no maior experimento psicológico que a humanidade já fez: a rede social. O fluxo é contínuo lá, já me peguei caindo em algumas armadilhas e percebo muitos amigos caindo também, mas ninguém admite lá também, preferimos a morte. Postagens insignificantes nunca têm sua ortografia revisada pelos Pasqueles de plantão, mas se está fazendo um mínimo sucesso sempre aprece um pra te avisar como se escreve esseção corretamente. Acontece em outras situações também, tem sempre alguém pra dizer um "na verdade..." ah, como isso me irrita, me irrita até quando sou eu que digo.

Hoje acho que deixar de ter inveja está tão próximo da nossa realidade como deixar de soltar pum. Há quem insista em algum tipo de santificação, mas pra mim está mais para aprender a lidar com isso, o pum veio pra ficar.

P.S.: Continuo recomendando o filme Amadeus, belíssimo.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Humor Negro!


Eu sou um fã de humor negro, principalmente quando se fala em cinema. Nos filmes o negócio fica mais refinado, não se dá ao trabalho de fazer uma simples piada preconceituosa ou explorar ambiguidades como a da tirinha acima, costumam ser tramas bem elaboradas e com um roteiro ácido.

Duas pessoas em momentos distintos me pediram uma lista desse tipo de filme, daí quis escrever esse artigo. Escolhi 3 filmes do gênero em escalas diferentes de humor para não assustar os amigos.

Nível Iniciante - para aqueles que não estão habituados e nem sabem se realmente gostam, tem um título bem legal, bem leve, dá pra assistir em família (risos).


Morte no Funeral, 2010 (Death at a Funeral), um filme que chega de cara com Chris Rock que tem um lista imensa de comédia pastelão no currículo (e dubla a zebra em Madagascar) daí você já começa a assistir pré-disposto a rir, essa é a ideia. Tem também Martin Lawrence, de Vovó...Zona, para tirar toda sua dúvida de que se trata de uma comédia. E a cereja do bolo Peter Dinklage, o Tyrion de Game of Thrones. Atenção, esse filme é um remake, o original é britânico de 2007 (e tem Peter Dinklage também para a nooooossa alegria) mas se não é acostumado com isso, vai no estadunidense mesmo que é mais fácil de digerir. Resumo da ópera trata-se de uma família problemática que deixa as verdades fluírem durante o velório do patriarca da família.

Nível Intermediário - para aqueles que já tem o hábito de rir de piadas de mau gosto. Dá pra assistir com a família também mas a maioria vai ter certeza que se trata de um drama com lição de vida e não vai rir (talvez seja um drama mesmo e eu ri porque sou esquisito).


Bastidores de Um Casamento, 2011 (Another Happy Day), protagonizado por Ellen Barkin é outra lambança em família, mas como o nome já diz, acontece durante um casamento (uma tradução de título que fez todo o sentido). A carga dramática e sem noção sobre ela é muito massa e por muitas vezes engraçadíssima. A família é do avesso, ninguém é normal, todo mundo sofre, mas é engraçado. Tira umas gargalhadas em cada depoimento hipócrita e desumano, mas todos acham que se amam. Drogas, distúrbios, violência ... tudo que uma família normal tem direito. Neste a cereja do bolo fica por conta de Demi Moore, uma coadjuvante de luxo num papel que você não está acostumado a ver.

Nível Vamos Todos Para o Inferno - sério, se você rir nesse nível, vai arder no tridente do capeta, você não é uma pessoa boa. Não é o mais chocante dos filmes, não mesmo, o problema é que é uma COMÉDIA. Assista com quem tenha intimidade para rir e não ser julgado, evite os parentes próximos. 


Festa em Família, 1998 (Dogme 1 - Festen), longe de ser o filme mais constrangedor que existe mas já te introduz nesse mundo em grande estilo. Para variar, problemas internos de uma família. A questão não é se o problema aqui é maior ou menor que nos outros filmes mas a maneira que a narrativa se dá, é muito bem feita, muito perturbadora e, lógico, engraçada. O que faz desse filme especial? Ele é o primeiro título do Manifesto Dogma 95, do diretor e co-criador do manifesto Thomas Vinterberg (um outro adepto do manifesto é nada mais nada menos que Lars 'doidipedra' Von Trier). Trata-se de um movimento que de certa forma queria desconstruir alguns padrões da 7ª arte, fazendo coisas do tipo: não usar tripé, não mixar sons na edição, não usar iluminação artificial que não fosse da própria cena, não fazer filme de época etc. Isso faz de Festa em Família mais que um bom representante do humor negro, faz dele uma obra prima e o coloca de vez na história do cinema. Se interessar por mais desse movimento olhe a lista AQUI.

Enfim, é isso, espero ter ajudado os amigos a se interessarem por um gênero diferente de filmes.