quarta-feira, 16 de abril de 2014

Birra com sapatos!

Tem dois itens na lista que são sobre minha birra, não necessariamente com os sapatos, mas com os preços. São eles 203- Nunca gastar num sapato o valor de um salário mínimo e o 204- Não parcelar sapatos. Encontramos facilmente pares de sapatos/tênis que passam da casa dos R$ 1.000,00. Não entra na minha cabeça, mesmo se eu fosse milionário, não dá pra esquecer que esse valor é quase 50% maior que um salário mínimo. E não dá pra deixar de comparar com o meu aluguel, um sapato desses paga um mês e sobra para o outro. Esse trem é de ouro?

"Ah, mas são sapatos que duram décadas"... no pé de quem? Esse troço não dura uma década, não mesmo, o pior de tudo é que nem são feitos para serem lavados, se lavar já era. Tem que comprar um spray mágico que tira a sujeira harrypotticamente. Ou ficar com eles sujos até se desfazerem, o que é meu caso, não aceito ter que comprar o bendito spray. 

O melhor de tudo, eles parcelam em 12 vezes!! Esse é o maior erro que se comete, quando estiver pagando a 3ª já rola o arrependimento, o sapato não está mais no mesmo estado que comprou, nem de longe. Exceções existem se for o famoso sapato de "festa", mas tirando esse caso ele vai estar já meio surradinho. 

Última compra que fiz foram 3 pares por 200 reais, e fiquei dos mais feliz, rolou desconto e espero ficar pelo menos alguns anos sem precisar gastar com isso (duvido, mas me faz bem acreditar nisso). Se um dia eu achar algum que realmente dure, o que proporcione um conforto sobrenatural, quase um barato, pode ser que eu mude de ideia. Não vou ser cabeça dura, é provável que eu mude sim de opinião se eu encontrar, mas acho improvável, enquanto isso vivo feliz com meus 3 pares.

Nem vou entrar nos méritos do universo feminino porque sapatos são tipo um mandamento de alguma divindade, entendo como um tipo de hobby sei lá.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Valsa N° 6

Então, já disse por aqui sobre minha preferência por teatro de bonecos. Agora imagina quando fiquei sabendo que em Brasília teria uma peça de Nelson Rodrigues nesses moldes!!! Valsa n° 6 é um monólogo muito legal, confesso que eu tinha um preconceito com monólogos no teatro, mas Nelson Rodrigues + Boneco não tem como ser ruim.

Na verdade é uma boneca, Sônia, que já passou dessa pra melhor e tá meio perdida sobre quem é. "Ah, cuidado pra não contar o final", o texto foi escrito em 1951 então acho que medo de estragar a surpresa não vem ao caso. Aliás pra quem gosta de ler peças o texto é facilmente encontrado na interwebs, pra facilitar sua vida clica AQUI. Uma coisa bacana que vi nas entrevistas da equipe que montou o espetáculo é que a boneca foi inspirada na obra de Tim Burton, especificamente em Noiva Cadáver. Olhando a foto diga-me se não é legal?!


Eu fiquei maluco, sou um anti-social assumido e pra eu sair de casa tenho que me programar com dias de antecedência, mas quando vi a notícia que estariam perto de mim e que o fim de semana já estava com os ingressos esgotados, fui em plena quinta-feira correndo pra não perder o lugar sem pensar muito, como já disse Nelson Rodrigues + Boneca inspirada em Tim Burton não tem como dar errado é tipo misturar leite condensado nas coisas, fica bom até com feijão.

Aprendi o que era Nelson Rodrigues na escola, um professor apaixonado por Vestido de Noiva nos fez ler a peça e debater por semanas, cheguei a assistir na época uma montagem que fizeram em Goiânia, foi legal, curti bastante. Ah, é claro, o famoso A Vida Como Ela É que passava aos domingos no meio do Fantástico também ajudou a ter interesse pelo autor.

Onde verei então essa peça? Você pode entrar no site da Companhia Teatro Portátil clicando AQUI e ver se vai passar por perto de você, o site é 'bunitinho né?! Se não tiver nada perto de você por agora, mande emails chatos pra eles do tipo "poxa quando vocês estarão na cidade X".


quarta-feira, 26 de março de 2014

Vinhos

Nem comecei meu plano divino para desfrutar dos vinhos. Disparada a bebida mais legal que existe, cheia de história, simbolismos e lendas. Além de fazer parte da dieta do mediterrâneo, lugar onde as pessoas vivem até os 347 anos. 

O que então esse pobre mortal precisava? De uma adega, claro, mas esse pobre mortal mora numa kitnet de 27m² e quando se casar vai para uma mansão de um pouco mais de 50. Se me falta dinheiro pra comprar espaço imagina pra comprar uma adega! Por isso inventaram as mini-adegas, que coisa lindadedeus! Mas a melhor das invenções, as Tias, sim elas, que compram adegas e te dão de presente de casamento. É a mesma tia da história da idade, legal né?! (não entendi e vou clicar AQUI)

As listas se materializam, que lindas são. Sendo assim Baco nunca será negligenciado na minha nova residência, já tem o seu cantinho e o seu altar. Missão sendo cumprida.




quarta-feira, 19 de março de 2014

Por que o Vila Nova faz isso comigo?

A situação é tão calamitosa do meu time que nem os amigos que sempre ligam ou mandam recado pra zoar se deram ao trabalho dessa vez, pelo contrário, vi uns rivais que lamentaram junto a situação. Destaque para o jornalista Téo José que até postou no seu blog sobre isso. O time mais vibrante do centro-oeste está na segunda divisão do campeonato goiano, inacreditável. 



Eu me lembro quando tinha ânimo para viajar para ver o Tigre jogar. Uma vez fomos até Morrinhos, assistimos o jogo todo em pé e debaixo de chuva, mas a torcida ficava firme. Lembro de minha frequência nos estádios durante as partidas do brasileiro, beirava 100%. Lembro de, por não ter tv paga, ir para um bar mesmo sem gostar para assistir partidas do Vila quando a torcida estava proibida de comparecer, lembro de ir até a sede e fazer um corredor para incentivar os jogadores na entrada para o ônibus antes de um clássico contra o rival verde. Hoje morando em Brasília fica mais difícil, porém fiquei conhecido no bar da esquina pois sou o único que pede para mudarem de canal e ver o Vila, aqui todo mundo acha que é carioca. Lembro de levar muitos amigos que nunca tinham entrado num estádio para verem o Tigrão. Lembro que muitos se apaixonavam por essa torcida louca-varrida que não para de empurrar o time. Lembro de muita coisa.

Já tem uma década mais ou menos que estão destruindo o time. Já tem muito tempo que dizem dar o sangue mas fazem da diretoria um trampolim e esquecem da razão de ser do clube. O Vila Nova não é time de prefeitura, ou esses times sazonais de empresas sei lá de onde. O Vila tem identificação com os goianienses, o Vila tem história. 

Se não bastasse a corja que apodrece o Vila por dentro, passou a existir duas facções criminosas que brigam nos estádios e estão afastando o torcedor das arquibancadas. O trem tá feio.

Já tem um tempo que desejo me importar menos com futebol, parar de me iludir com essa que é maior ilusão dos brasileiros. Desde a copa de 1998 parei de acreditar em papai noel, mas escolhi continuar cego e continuar vibrando com gols. A cada dia a vibração sofre um abalo, sai uma notícia aqui outra ali e vamos perdendo o encanto. Mesmo assim ainda me iludia, queria ver uma copa. Estive na Copa das Confederações e vi tanta coisa errada que me recusei a entrar na fila de ingressos para a Copa de 2014. Além do mais estava extremamente constrangido de ver a polícia bater nos manifestantes alegando que era para eu ter uma entrada segura nos estádios, dias antes era eu que estava na rampa do congresso. A cada dia me desencanto mais.

Mas o Vila parecia intocável a essa minha crise, até que vi toda uma região, toda uma comunidade sendo esquecida pelo modelo do futebol profissional falido. A paixão que veio do meu avô, as inimigas vão dizer que foi um suborno não acreditem, corre o risco não de desaparecer mas de adormecer. Isso porque sei que mesmo se passar a odiar futebol um dia (sinceramente acho improvável) o Vila Nova ainda vai ser uma paixão pelo que seu escudo representa e pela comunidade que se une em volta do vermelho.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Amadeus!

Mais um filme sensacional. A direção é de Milos Forman, o cara dirigiu uns filminhos aí sem importância como Um Estranho no Ninho e O Mundo de Andy, esse último muita gente critica, porém é muito bom, um dia quero escrever sobre.

Amadeus é um filme sobre inveja, e isso é fantástico. Gosto dessa temática, filmes assim mostram uma coisa diferente do que costumamos acreditar. Nós vemos inveja como um sentimento extremamente distante do normal, algo pertencente a um bandido, criminoso, pedófilo, assassino que come pizza com catchup. Que tipo de ser humano põe catchup na pizza?!?! Não vemos como um sentimento comum como raiva e nem como um pecado trivial como a preguiça. Inveja é o cão chupando manga nas nossas mentes. Isso é ruim por um lado: ninguém admite que tem.

O contexto do filme é simples, Salieri é um compositor que quer ser a última bolacha do pacote, mas nasceu na época de ninguém mais ninguém menos que Mozart. Digamos que Cristiano Ronaldo sabe muito bem o que isso significa. O filme é todo na ótica de Salieri, é até o próprio narrador da parada. Que coisa linda, quanto sentimento, quanta frustração, quanta inveja. Como lidar com esse tipo de sentimento que é tão feio que não podemos reconhecer que temos? Como lidar com algo que juramos não existir em nosso miocárdio?

Essa é a graça, não dá pra contornar isso. O filme é longo para os padrões de hoje mas é sublime no seu ritmo de narrativa, não cansei em nenhum momento. E já adianto que se você tem algum tipo de conhecimento musical, por menor que seja, vai curtir o filme mais ainda que abusa de cenas musicais, mas não musical tipo Incrível Xuxa Contra o Baixo-Astral (adoro, mas não é o caso), Amadeus é musical tipo Mozart :)



A trama gira nas peripécias do confuso Salieri em tentar ser melhor que Mozart. Mas esse "tentar ser melhor" é do tipo de dar orgulho em Maquiavel. Hoje saber que sou invejoso me ajuda bastante, sei quando alguém fez merda e quando alguém fez algo bom mas eu quero acreditar que seja merda pra esconder minha inveja. Pra quem não acredita que é algo muito mais presente que se pensa é só dar uma olhada no estudo mais doido que já vi. Dentro do grupo submetido aos testes um terço (33%) demostraram inveja ao acessar o perfil do coleguinha no facebook. Vamos de uma forma bem porca e pouco científica admitir que se a cada 3 amiguinhos 1 (no mínimo) é sabidamente invejoso sua concepção muda sobre esse sentimento. E o estudo ainda te mostra que a pessoa objeto da inveja tem um pouco de responsabilidade nisso, afinal quem quer saber o quão azul são as águas do Caribe? Por que o cidadão postou as fotos? Abraço para meu amigo mergulhador que não se cansa de postar essas fotos horrorosas de lugares que nunca cheguei perto.

Enfim, recomendo Amadeus essa excelente obra do cinema (disponível no Netflix) e recomendo também a leitura do estudo que mencionei sobre a inveja (notícia AQUI, estudo AQUI).